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Artigo Técnico - A Cerveja e a Norma Regulamentadora NR-13 29/05/2020

Walter Luís Künzel
Engenheiro Mecânico, CEO e Fundador B&K Engenharia (www.bekengenharia.com.br)

Marco Aurélio Candia Braga
Engenheiro Mecânico, presidente da Federação Nacional de Engenharia Mecânica e Industrial - FENEMI 

É fim de semana e o que todos esperam é aquele churrasco na casa do amigo que está de aniversário. Quase setenta parceiros que farão aquele musical com sertanejo e um pouco de Rock´n Roll ao redor de uma bela costela assada. “Quem vier traz cinquenta pila ou mais, que será doado para a APAE da nossa cidade”. E assim começa a comemoração. E não pode faltar, claro, aquele chopp gelado. Tudo para deixar os convidados bem à vontade. E que fique claro e registrado, que uma reunião destas só foi possível antes da quarentena.

Mas para que essa reunião de amigos aconteça toda a cadeia de produção do chopp deve operar perfeitamente: processo de levedura, clarificação, fervura, American Lager, Tradicional Bock, IPA, Viena, Pale Ale, Pilsen.

Todos os ingredientes até o produto final, armazenados e processados em tanques de aço inoxidável devidamente fabricados e em conformidade com as normas ASME, DIN, GIS ou BS de projeto e fabricação de equipamentos pressurizados. Afinal, o produtor não espera por um colapso do seu tanque em plena fabricação com o risco de perder dezenas de litros do precioso líquido dourado.

“Como é que é? Normas de fabricação para tanques de cerveja? E precisa disso?”

Certo, vamos explicar. Para a produção das tão desejadas cervejas artesanais e outros tipos, é necessário que durante o processo sejam controladas a temperatura e a pressão dos tanques, para que se atinjam características do produto dentro de padrões do fabricante.

A elevação de pressão em tanques, que também são chamados de vasos de pressão, é uma condição que requer integridade estrutural do equipamento que será enchido e esvaziado diversas vezes ao longo de sua vida útil. Até mesmo o peso do equipamento com o produto completo deve ser levado em conta no memorial de cálculo.

A variação de pressão para estes equipamentos é da ordem de 1,0 kgf/cm² a 3,0 kgf/cm². Pressão não demasiadamente elevada, mesmo assim cuidados especiais no projeto e fabricação devem ser levados em conta, como material dos tanques, espessuras das chapas utilizadas, processo de soldagem dos bocais, tampos e costados, dimensões da seção transversal das soldas no perímetro soldado, dimensões das conexões, utilização de válvulas de segurança e medidores de pressão, entre outros itens de controle e medições para o processo.

Mas o quanto seus equipamentos de produção de cervejas estão atendendo à Norma NR-13? Esta é a norma adotada para a segurança na operação de equipamentos que trabalham com fluidos pressurizados aqui no Brasil: vasos de pressão, caldeiras, tubulações e tanques.

Os tanques de cerveja enquadram-se como vasos de pressão, diferente do próprio título da NR13. Mas a pergunta principal é: “Quão enquadrados aos códigos de projetos (ASME, GIS, DIN ou BS) estão os equipamentos fabricados no Brasil ou importados para a produção de cervejas?”

Para os leigos, o principal indício de que o equipamento se enquadra na NR-13 ou nos códigos de projeto citados anteriormente, é a presença ou não de no mínimo uma placa de identificação do equipamento. Mas a presença deste item por si só não significa o pleno atendimento das normas. Informações como pressão de trabalho, pressão de teste hidrostático, código de projeto, categoria e grupo de risco pela NR-13 e claro, informações do fabricante ou importador, são indícios ao leigo de que o projeto e fabricação foram realizados dentro de padrões seguros para a operação deste e daquele tanque ou vaso de pressão.

Saiba que a simples importação dos equipamentos não atende aos requisitos da NR-13, e o produtor de cerveja poderá cair em uma não conformidade em auditorias de fiscalização do MTE ou outros órgãos.

“Mas o que é necessário então para atender plenamente à NR-13? Este tema será discutido em outro artigo.”

O grande agravante que merece destaque está no fato de que produtores de cerveja desconhecem os procedimentos para atendimento da norma durante a fase de aquisição dos equipamentos, ou seja, a etapa comercial, e talvez o mais grave, os atuais fabricantes, ou grande parte deles, desconhecem que os tanques de cerveja se enquadram na classe de vasos de pressão, e assim, produzem equipamentos fora das especificações técnicas da principal norma de projeto usada no Brasil, a ASME. Quem paga por isso é o produtor. Pois ele fica vulnerável a acidentes e a fiscalizações com autuações e interdição dos equipamentos.

Mas cuidado. Não basta dizer que o equipamento é comercializado e atende à NR-13. Uma série de documentos e dispositivos devem acompanhar a aquisição do tanque. Talvez esteja na adequação plena o diferencial financeiro para a aquisição da sua mini cervejaria.

Se você tem dúvidas se a sua fabricação atende à NR-13, consulte um engenheiro mecânico. Ele é o profissional legalmente habilitado que possui as atribuições necessárias para diagnosticar, inspecionar e elaborar os documentos necessários para os tanques. Antes de adquirir novos equipamentos, faça uma consulta a este importante profissional. Afinal todos querem receber o chopp da sua marca preferida dentro da qualidade necessária.

Ahhh, nosso amigo aniversariante agradece a presença de todos. Fizemos a contagem dos valores doados. As crianças e adolescentes da APAE ficarão felizes com esta generosa contribuição.